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O GALENA

O galena surgiu em 1906, quando um coronel do exército norte-americano, H. H. C. Dunwoody, patenteou o detector de cristal.

Consistia num fragmento de galena (sulfeto de chumbo natural), que se ligava a uma antena por meio de um arame fino (bigode de gato). Todo o som transmitido pelo transmissor e captado pela antena, passava pelo cristal e era ouvido através de um par de auriculares. As freqüências emitidas eram selecionados no cristal ou pedra de galena, bastando para isso uma pequena variação na agulha.

Os primeiros radioescutas do mundo todo, inclusive os brasileiros nas décadas de 20 e 30, conheceram as audições radiofônicas através dos galenas, receptores elementares, na maioria de fabricação caseira. Bem mais tarde, surgiram os alto-falantes que, por sua vez, eram cornetas de som, no mesmo estilo das antigas vitrolas e, posteriormente, embutidos nos receptores.

Uma quantidade enorme de ondas eletromagnéticas é produzida a lodo instante pelas estações de rádio, em diversas freqüências (entre 100kHz e 300000kHz). São as chamadas ondas de radiofreqüência. Para a faixa conhecida por ondas médias, as estações transmitem em freqüências que vão, aproximadamente, de 500kHz a 1500kHz (como você pode conferir no mostrador de um rádio).

Essas ondas podem ser captadas por um receptor elétrico simples e reproduzidas por um fone de ouvido, utilizando-se apenas a energia que elas mesmas transportam.

Assim, não é necessário o uso de energia fornecida pela rede elétrica ou mesmo por pilhas. A partir do início do século XX, foram introduzidos nos receptores de radiofreqüência certos cristais que permitem a passagem de corrente elétrica num sentido, mas a impedem no sentido oposto. Esses cristais são conhecidos como semicondutores.

Um dos primeiros semicondutores utilizados foi o galena, o minério de chumbo mais abundante na natureza. Galena é a denominação vulgar do sulfeto de chumbo (PbS), que contém 86,6% de chumbo (Pb) e 13,4% de enxofre (S). 0 cristal de galena foi utilizado durante muito tempo devido a sua grande eficiência na detecção das ondas de rádio, sendo inclusive empregado na construção de receptores improvisados durante a Segunda Guerra Mundial, em toda a Europa.

Mais recentemente, substituiu-se o galena por semicondutores de germânio ou silício. Entretanto, por força do hábito, qualquer receptor pequeno e simples, como o que propomos adiante, continua sendo chamado "rádio-galena", mesmo que o semicondutor utilizado seja outro. A idéia básica é bem simples, e o seu receptor, depois de montado, deverá ficar assim:



Material necessário:
• uma base de madeira de 25cm x 25cm
• um canudo de cerca de 15em de comprimento por 3em de diâmetro (pode ser de papelão, de PVC ou outro plástico isolante qualquer)
• 45 metros de tio de cobre esmaltado (n- 28 ou 30)
• um fone de ouvido simples, desses que acompanham pequenos rádios de pilha (fone de cristal)
• dois capacitores de cerâmica: um de 250 pF e outro de 100 pF
• um diodo de germânio ou silício
• 15 percevejos
• fita adesiva
• um pedaço de lixa fina
MONTAGEM

Antena (A)

Para se construir uma boa antena é recomendável utilizar aproximadamente 20m de fio bem esticado, a uma boa altura do chão (5m pelo menos) e presa a objetos isolantes. Uma das extremidades da antena deve ser lixada e conectada a uma das extremidades da bobina no ponto 1, indicado na figura. Bobina (L)

Para se construir a bobina enrola-sé o fio de cobre esmaltado, dando-se cerca de 100 voltas no tubo isolante. As voltas de fio devem ficar bem encostadas umas nas outras, sem superposição. A primeira e a última volta devem ser presas ao tubo com fita adesiva, deixando-se uma sobra de 20cm de fio em cada extremidade. Lixam-se as pontas dessas sobras para tirar o esmalte e permitir os contatos elétricos. Lixa-se também cerca de l cm de largura ao longo de todo o comprimento da bobina. Essa faixa servirá para fazer contato elétrico, variando-se o número de voltas conectadas ao restante do receptor. Terra (T)

A ligação com a terra pode ser feita através do encanamento da sua casa (desde que seja metálico) ou através de um pedaço de ferro forcado no chão. Capacitor (C l)

O capacitor C l (250 pF) deve ser colocado em paralelo com a bobina. Um dos seus terminais deve ser ligado à terra em 5 e o outro fixo em 3.

Do ponto 3 sai um pedaço de fio. A extremidade livre desse fio deve ser encostada na parte lixada do enrolamento(4), podendo percorrê- la de ponta a ponta. Esse fio é chamado cursor. Com isso, pode-se introduzir no circuito um número variável de voltas da bobina.



Diodo (D)
O diodo deve ter um terminal conectado em 3 e o outro em 6.
Capacitor (C 2)
O capacitor C 2 (100 pF) deve ter um terminal conectado ao diodo, em 6, e o outro à terra, em 7.
Fone (F)
O fone deve ser conectado em paralelo com o capacitor C 2, em 6 e 7.

Não se esqueça que em todos os pontos de conexão (1 a 7) as extremidades dos fios de cobre devem ser lixadas antes, para permitir os contatos elétricos.

As conexões devem ser fixadas na base de madeira através dos percevejos, exceto a extremidade livre 4 (cursor), que poderá ser presa ao enrolamento por um pedaço de fita adesiva

Coloque o fone no ouvido e percorra lenta e cuidadosamente com o cursor a parte lixada do enrolamento da bobina, procurando sintonizar uma estação de onda média local.



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